Por muitos anos, a saúde se organizou a partir da lógica da oferta: estruturas, especialidades, leitos e protocolos. O paciente se adaptava ao sistema. Hoje, essa equação se inverte. As pessoas passaram a comparar suas experiências — inclusive na saúde — com tudo o que vivenciam em outros setores da vida. Falar em “paciente como consumidor” pode gerar desconforto, sobretudo em um país que tem a universalidade como princípio. A expressão, porém, não se refere à mercantilização do cuidado, mas ao reconhecimento de que o usuário faz escolhas, avalia experiências, busca conveniência, exige transparência e valoriza ser ouvido. Espera fluidez, personalização e respeito ao seu tempo, sem separar o cuidado recebido no hospital das experiências digitais que tem em outros serviços. Essa mudança impacta diretamente a forma como desenhamos a jornada do paciente, que deixou de ser um conceito periférico para se tornar eixo estratégico.