Em tempos de excesso de informação, somos diariamente bombardeados por notícias de dor, violência e destruição. Guerras, crimes, conflitos e catástrofes chegam até nós em tempo real, fragmentados, ampliados e, muitas vezes, explorados até a exaustão. Há uma sensação difusa de que o mundo se tornou mais perigoso e, com ela, um cansaço psíquico que nos assola silenciosamente. Anualmente, a Páscoa, que simboliza a travessia, a morte e o renascimento, nos convida a refletir sobre esse estado de permanente tensão. Se, por um lado, é fundamental não negar o mal, que faz parte da experiência humana, por outro, é preciso reconhecer que a exposição contínua ao sofrimento pode crucificar. Quando tudo se torna ameaça, o outro facilmente se transforma em inimigo. E, assim, vamos alimentando uma lógica de desconfiança que empobrece os vínculos e fragiliza a vida em comum.