Vinte e três anos após a publicação de “O vácuo do poder e o crime organizado”, a tese de que a fragilidade do Estado brasileiro alimenta o crescimento de facções criminosas nunca foi tão atual. O Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV), antes restritos a presídios e favelas, transformaram-se em megacorporações, operando com requinte empresarial e alcance transnacional. O vazio deixado pela ineficiência estatal, agravado pela corrupção crescente, permite que essas organizações sigam protagonizando o maior problema de segurança pública no Brasil. A macrocriminalidade não mais se limita ao tráfico de drogas, embora continue sendo uma fonte de renda significativa (R$13 bilhões/ano); suas operações incluem lavagem de dinheiro em criptomoedas, contrabando de armas, coação e cooptação de agentes públicos, contratos e concessões de serviços públicos, milícias paraestatais, estelionato e extorsão digital e até financiamento de campanhas políticas. Porém, nada se compara aos jogos ilegais, em todas as suas modalidades (R$ 150 bilhões/ano).