Quando um empreendimento imobiliário começa a ser planejado, normalmente ainda levará alguns anos até chegar às mãos do comprador. Entre estudos de viabilidade, projetos, aprovações, contratação de fornecedores, execução das obras e entrega das chaves, decisões tomadas hoje influenciam diretamente a competitividade e a sustentabilidade financeira do negócio. É justamente por isso que a previsibilidade sempre foi um dos ativos mais importantes da construção civil e é exatamente ela que passa a ser desafiada pela reforma tributária. Muito se discute sobre as novas alíquotas e seus possíveis reflexos sobre os custos. Mas a reforma representa uma transformação estrutural na forma como as empresas planejam investimentos, administram contratos e conduzem seus empreendimentos. Segundo a Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), a transição para o novo sistema tributário seguirá até 2033 e exigirá adaptação das empresas a um modelo baseado no aproveitamento de créditos tributários e na revisão de processos internos. Para a entidade, essa mudança tende a reduzir distorções como o chamado “imposto sobre imposto”, ao mesmo tempo em que exige maior controle das operações e planejamento da cadeia produtiva.