Em recente audiência pública realizada em Padre Bernardo, a escuta da população atingida pelo desmoronamento do empreendimento conhecido como “Aterro Ouro Verde” permitiu algo que nenhum processo ou laudo consegue substituir: ouvir diretamente quem vive as consequências do que aconteceu. Muito já se falou sobre o desmoronamento. Sobre um empreendimento privado, explorado com finalidade lucrativa, que por anos funcionou sob sucessivos “jeitinhos”, sem um processo de licenciamento ambiental compatível com a dimensão e o potencial de impacto da atividade. Há ainda um dado difícil de compreender: sua instalação dentro de uma Área de Proteção Ambiental federal, destinada à preservação de uma região estratégica para a Bacia do Descoberto. O desastre virou notícia. Vieram imagens, medidas emergenciais e discussões sobre responsabilidades. Ficaram, porém, perguntas sobre a atuação dos órgãos que deveriam ter exercido, antes do desastre, a essência da proteção ambiental: prevenção e precaução.