Em 1992, eu tinha doze anos. A questão ambiental chegava por todos os lados: pela escola, pelo noticiário, pelas conversas de adultos que de repente falavam em ozônio e desmatamento como se o mundo tivesse prazo de validade. Naquele ano, o Rio de Janeiro sediou a maior cúpula ambiental da história até então, a ECO-92, e crescer informado naquele contexto deixou marcas. Aprendi cedo que prestar atenção no mundo é também uma forma de habitá-lo melhor. Em casa, minha mãe fumava. E eu, armado com o vocabulário recém-adquirido das pautas ecológicas, tive o que me pareceu uma ideia de gênio do marketing: “a fumaça do seu cigarro não polui apenas o seu pulmão, polui todo o meio ambiente”. Criança com causa. Atualmente, relembro aquela cena com uma mistura de ternura e ironia, porque estava, sem saber, mais certo do que imaginava.