Semanas atrás conheci uma mulher jovem. Pouco mais de quarenta anos. Mãe. Profissional da saúde. Com plano de saúde. Com informação. Com acesso. Ainda assim, ela descobriu um câncer do colo do útero em estágio avançado. A descoberta veio depois de quatro anos sem realizar o exame preventivo. Depois de alguns sangramentos que pareciam pequenos, insignificantes. E veio já acompanhada de um tratamento agressivo, difícil, mas inevitável quando chegamos a esse estágio da doença. O relato dela é impactante, mas não é um caso isolado. No ambulatório de oncoginecologia da Universidade Federal de Goiás (UFG), no Hospital das Clínicas, convivo com histórias semelhantes todos os dias. E, todos os dias, elas doem. Doem porque são recorrentes. Doem porque, na maioria das vezes, não deveriam sequer existir.