Quando falamos em ancestrais, pensamos nos que já se foram. Mas e aqueles que ainda estão aqui, vivendo nas cidades? Existe uma ancestralidade viva caminhando pelas nossas ruas, ocupando as praças e os parques que restam. O Brasil envelhece: projeções indicam que quase 38% da população será idosa em 2070. Nossas cidades estão preparadas para acolher esses ancestrais vivos, que testemunharam a evolução dos bairros e carregam memórias dos córregos canalizados, das árvores derrubadas e das que ainda dão frutos? O aumento das temperaturas, a impermeabilização do solo e a redução de áreas verdes intensificam o desconforto térmico, especialmente entre idosos, que têm menor capacidade de regular o calor, maior risco de desidratação, exaustão e agravamento de doenças crônicas. Governos precisam criar estratégias de proteção contra temperaturas extremas. Na Coreia do Sul, foram instalados espaços públicos de resfriamento durante ondas de calor. No Brasil, especialmente em Goiás, nosso maior aliado é a natureza contra o calor. Uma vegetação resiliente, que oferece sombra, umidade, abrigo e até memória, é valiosa não só para o paisagismo, mas para a vida cotidiana dos nossos ancestrais vivos e nós mesmos.