O debate sobre cigarros eletrônicos no Brasil não se limita ao que aparece publicamente. Nos bastidores, cresce a pressão da indústria do tabaco e de seus interlocutores para flexibilizar regras que hoje proíbem esses dispositivos no país. É um movimento estruturado, contínuo e que exige atenção. Um dos principais instrumentos internacionais que monitoram esse cenário, o Índice de Interferência da Indústria do Tabaco, ajuda a dimensionar o problema. Na edição mais recente, o Brasil somou 55 pontos em uma escala em que quanto maior a pontuação, maior a influência da indústria sobre políticas públicas. O resultado coloca o país em uma zona de alerta e evidencia fragilidades na proteção das decisões governamentais. No caso dos cigarros eletrônicos, essa pressão se traduz na tentativa de regulamentar um produto que hoje é proibido. A Anvisa reafirmou, em 2024, a vedação à comercialização, importação e propaganda desses dispositivos. A decisão se baseia em evidências e no princípio da precaução, especialmente diante das incertezas sobre os efeitos de longo prazo e do forte apelo ao público jovem.