Um ano se passou desde o desmoronamento do Aterro Ouro Verde, em Padre Bernardo. O suficiente para que a poeira baixasse, mas não para que os danos desaparecessem. A paisagem mudou. Os resíduos se espalharam. O chorume escorreu. Novos deslizamentos vieram depois. Mas talvez a imagem mais inquietante deixada por essa tragédia não esteja no aterro, e sim nos autos do processo que buscava evitá-la. Quando o desmoronamento ocorreu em 18 de junho de 2025, a ação civil pública proposta pelo Ministério Público do Estado de Goiás e pelo Ministério Público Federal já tramitava havia quatro anos. Seu objetivo era justamente discutir a legalidade daquele empreendimento, seus impactos ambientais e os riscos decorrentes de sua operação. A tragédia chegou antes da solução. Essa constatação, por si só, deveria provocar uma reflexão nacional sobre a forma como enxergamos a proteção ambiental.