Neste ano, o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) completa 36 anos, mas de lá para cá o mundo mudou muito. A lei regulamentou o artigo 227 da Constituição de 1988 e consolidou no ordenamento jurídico brasileiro a chamada doutrina da proteção integral, que estabelece o dever compartilhado da família, da sociedade e do Estado na garantia dos direitos de crianças e adolescentes. Mais do que reconhecer esse público como sujeito de direitos, o estatuto fixou a prioridade absoluta no atendimento de suas necessidades e na defesa de seu melhor interesse. Desde então, a forma como as pessoas estudam, trabalham, se relacionam e consomem informação sofreu transformações aceleradas, impulsionadas pela globalização, pelos avanços tecnológicos e, mais recentemente, pela inteligência artificial. Saímos de um ambiente predominantemente físico e presencial para uma realidade em que grande parte das interações ocorre também no espaço digital. Para as crianças e os adolescentes, essa mudança é ainda mais significativa. Diferentemente das gerações anteriores, eles já nasceram em um ambiente conectado.