Em Cidades Invisíveis, o escritor Italo Calvino sugere que uma cidade é feita, dentre muitas coisas, das histórias contadas para descrevê-la. Goiânia mostraria que algumas são feitas também daquelas com que tentamos imaginar o nosso próprio destino. Nos anos 30, a transferência da capital expressou, antes de tudo, um ato de imaginação: deslocar sua administração e oferecer ao estado de Goiás uma imagem afinada com o vocabulário da modernização. Em 1933, Pedro Ludovico definiu o seu local e o arquiteto Attilio Corrêa Lima se encarregou do projeto. A cidade nasceu primeiro como promessa e depois como espaço. Em janeiro desse ano, tal memória voltou à tona. Goiânia lançou um roteiro dedicado aos prédios Art Déco, com visitas guiadas pela Praça Cívica e pelo Centro. Em abril, a Câmara Municipal reconheceu seu acervo arquitetônico como patrimônio cultural e a instituiu Capital Nacional da Art Déco. O gesto importa menos pelo título e mais pelo que revela: Goiânia busca em sua arquitetura inaugural como recontar quem é.