Há algo de profundamente cômico — e, portanto, trágico — em observar a fila de postulantes ao poder, neste ano eleitoral, trajando a armadura do “antissistema”. O empresário vira-se contra o mercado que o criou. O herdeiro de dinastia clama por revolução. O operário se apresenta como justiceiro das elites. O fazendeiro contra seu curral. Todos prometem explodir o tabuleiro — desde que suas peças permaneçam no jogo. Enquanto os candidatos se vestem de rebeldes para a plateia, o Primeiro Comando da Capital (PCC) instaura a ordem, com eficiência weberiana e fúria marxista, reduz a Faria Lima a um mero poste. O verdadeiro antissistema não precisa de horário eleitoral gratuito. Ele ocupa territórios, dita preços, arbitra conflitos, controla a violência e cobra impostos. É mais Estado do que o Estado — sem prestar juramento à Constituição.