A reforma tributária foi apresentada como uma solução moderna para um velho problema brasileiro: um sistema confuso, caro e cheio de disputas judiciais. A promessa é simplificar regras, reduzir burocracia e melhorar o ambiente de negócios. Em parte, esse objetivo é legítimo. Mas toda grande mudança cobra um preço. No caso da reforma, esse preço pode recair sobre a autonomia política e democrática de Estados e Municípios. O novo Imposto sobre Bens e Serviços (IBS), que substituirá ICMS e ISS, será administrado por um Comitê Gestor. Na prática, isso significa que decisões importantes sobre regras, fiscalização e funcionamento do tributo deixam de ser tomadas pelos entes subnacionais (em seu âmbito de atuação democrática) e passam a ser centralizadas. Estados e Municípios continuarão recebendo recursos, mas terão menos poder para decidir como o principal imposto que os financia será estruturado. Esse ponto merece atenção. Em uma federação, autonomia não significa apenas receber dinheiro. Significa também ter liberdade para definir prioridades, criar soluções regionais e adaptar políticas públicas às necessidades locais.