Restaurar uma casa histórica nunca significa apenas consertar paredes. No caso da residência do escritor Bernardo Élis, em Goiânia, o trabalho envolve devolver à cidade um espaço de convivência entre literatura, arquitetura e memória afetiva. Toda casa guarda marcas de quem a habitou, mas algumas guardam também parte da identidade cultural de uma comunidade. A Casa-Museu Bernardo Élis não é somente o lugar onde o escritor viveu seus últimos anos com sua família; é onde escreveu, recebeu amigos, organizou livros e construiu vínculos com a cultura goiana. Quando o visitante atravessa a porta, ele não entra apenas em um edifício, entra em uma narrativa. Com o passar do tempo, a edificação passou a apresentar problemas típicos de conservação. A cobertura, principal elemento de proteção do imóvel, sofreu infiltrações prolongadas. Em patrimônio, a água é quase sempre o maior inimigo: deteriora madeiras, mancha superfícies, compromete instalações e, sobretudo, ameaça o acervo. Assim, a prioridade técnica do restauro tornou-se garantir a estanqueidade do conjunto, recuperando telhas, estrutura e sistemas de drenagem.