Goiás encerrou a colheita da safrinha de milho deste ano com uma das piores produtividades dos últimos anos. Dados da Agroconsult apontam queda de 127 para 83 sacas por hectare em relação ao ciclo anterior, perda próxima de um terço em uma safra. Enquanto Mato Grosso ajudou a sustentar o resultado nacional, em Goiás o impacto foi direto e severo. A StoneX chegou a reduzir em 19% sua estimativa para o Estado em um mês. A explicação está no campo: faltou chuva durante o enchimento dos grãos, em lavouras que já haviam sido plantadas fora da janela ideal devido ao atraso na colheita da soja. Mas a consequência não termina na porteira. A quebra alcança comércio, empregos, arrecadação municipal e a cadeia econômica ligada ao produtor. Há ainda um efeito menos visível que deve ganhar força nos próximos meses: o impacto jurídico. Grande parte do financiamento da safrinha é estruturada por Cédulas de Produto Rural (CPRs), operações de troca de insumos por produção e adiantamentos de tradings. São compromissos firmados sobre uma expectativa de volume que muitos produtores não colheram. Sem grãos suficientes, resta comprar no mercado para cumprir contratos, renegociar obrigações ou enfrentar o inadimplemento.