Durante boa parte da vida, muitos homens caminham carregando o peso de uma armadura invisível. São ensinados a não demonstrar dor, a esconder o medo e a acreditar que sua força está em não precisar de ajuda. Como se fossem feitos de aço, imunes ao tempo, às doenças e à vulnerabilidade humana. Uma masculinidade forjada mais pela negação do que pelo cuidado, onde admitir sofrimento soa como fraqueza e procurar um médico, como rendição. É nesse cenário que o Dia Nacional do Homem, celebrado no último 15 de julho, surge como um convite à reflexão. A data foi criada em 1992 para reforçar a importância da saúde preventiva, mas permanece atual diante de um comportamento que desafia médicos e preocupa famílias: a negligência masculina com o próprio corpo. Um levantamento da Sociedade Brasileira de Urologia revela o retrato dessa resistência. Quase metade dos homens só procura atendimento quando os sintomas se tornam evidentes ou insuportáveis. Para os que dependem do SUS, esse índice sobe para 58%. Em outras palavras, a maioria ignora os sinais precoces e perde a oportunidade de um diagnóstico mais simples e mais eficaz.