Nos últimos anos, a palavra “sustentável” tornou-se onipresente. Grandes empresas, mineradoras, restaurantes, prédios, pousadas, carros, shows — todos parecem comprometidos com o futuro do planeta. Vivemos uma era em que até as ações mais destrutivas vêm acompanhadas de um selo verde, de certificações duvidosas ou de um relatório positivo de impacto socioambiental. Mas, se tudo é sustentável, por que os problemas ambientais continuam se agravando? Estamos diante de uma crise ambiental sem precedentes. Eventos climáticos extremos tornam-se mais frequentes, ecossistemas inteiros são devastados, resíduos sólidos se acumulam em ritmo alarmante e cresce o número de refugiados ambientais. A incoerência entre o discurso institucional e a realidade é cada vez mais gritante. Um dos principais responsáveis por essa dissonância é o chamado greenwashing: a maquiagem verde que disfarça práticas predatórias sob o verniz da responsabilidade socioambiental. Esse disfarce transformou a sustentabilidade em mero marketing — e da pior qualidade.