O debate antigo sobre a gratuidade no transporte coletivo ganhou força no Brasil, amadureceu e chega aos meios políticos nas diversas esferas governamentais. É um debate legítimo: desde 2015, o transporte é direito social previsto no artigo 6º da Constituição, e seu custo pesa mais no orçamento de quem ganha menos. Mas 2026 é ano eleitoral, e tarifa zero é promessa sedutora de campanha. Defender essa causa com seriedade exige responsabilidade com os números, não discurso fácil. A Associação Nacional das Empresas de Transportes Urbanos (NTU) estima que o sistema atual de ônibus e trilhos custa cerca de R$ 90,7 bilhões por ano; com tarifa zero universal, a demanda represada e a migração do carro e da moto exigiriam ao menos 20% mais oferta, levando o custo a cerca de R$ 110 bilhões. Hoje, das 2.962 cidades brasileiras com transporte organizado por ônibus, apenas 143 adotam gratuidade irrestrita, e a maioria são municípios pequenos: 73% têm menos de 50 mil habitantes.