O Brasil possui uma das maiores reservas de terras raras do mundo, atrás apenas da China. Trata-se de uma riqueza estratégica para o século XXI, essencial à produção de carros elétricos, turbinas eólicas, semicondutores, equipamentos de defesa e tecnologias ligadas à transição energética. No entanto, ter minério no subsolo não basta. Para transformar abundância geológica em desenvolvimento econômico, são necessários tecnologia, indústria, financiamento, coordenação estatal e visão de longo prazo. Hoje, o país ainda opera preso a uma lógica primário-exportadora, em que extrai pouco, processa menos ainda e agrega quase nenhum valor. Com isso, arrisca repetir um padrão histórico conhecido caro ao país de exportar riqueza bruta e importar tecnologia cara. Enquanto a China consolidou uma cadeia produtiva robusta e produziu, em 2025, cerca de 270 mil toneladas de terras raras, o Brasil produziu apenas 20 toneladas. O contraste revela o tamanho do desafio: há potencial mineral, mas falta estratégia produtiva.