O anúncio da aquisição da mineradora Serra Verde, em Minaçu, no norte goiano, pela empresa norte-americana USA Rare Earth, por cerca de 2,8 bilhões de dólares, não pode ser tratado como mais uma operação de mercado. Trata-se de um movimento que insere Goiás e o Brasil no epicentro de uma disputa geopolítica global por recursos estratégicos. As chamadas terras raras são insumos fundamentais para tecnologias de ponta: carros elétricos, turbinas eólicas, celulares e até sistemas de defesa. São, portanto, elementos-chave para o futuro econômico e tecnológico do planeta. A cadeia global desses minerais é amplamente concentrada na China, que domina a maior parte da produção e do processamento. É justamente nesse contexto que a mina da Serra Verde ganha relevância extraordinária. Localizada em Goiás, ela é a única fora da Ásia capaz de produzir, em escala, elementos magnéticos mais críticos, como disprósio e térbio, indispensáveis à indústria de alta tecnologia.