A “Odisseia” começa com a palavra homem, em grego, “andra”. Não o homem genérico, símbolo da humanidade. Nem o homem qualquer, pois é qualificado de “polýtropon”, palavra que, dizem os entendidos, soma “muito”, “modos” e “voltas” para obter Odisseu -Ulisses, em latim. Nas traduções para idiomas contemporâneos, esse homem costuma ser adjetivado de versátil, astuto, sutil, esperto, ladino, cheio de truques. Em 2017, a erudita britânica Emily Wilson verteu o verso inicial da “Odisseia” para: “Fale-me desse homem complicado, musa”. Ela prossegue: “Conte-me como ele errou e se perdeu/ depois de destruir a sagrada cidade de Tróia,/ e por onde passou, e quem encontrou,/ e a dor que padeceu nas tempestades no mar,/ e como penou para salvar a própria vida/ e trazer seus homens de volta para casa.” O diretor Cristopher Nolan disse que a tradução da ensaísta e poeta formada em Cambridge serviu-lhe de inspiração ao filmar “A Odisseia”. Referiu-se especificamente ao verso “Fale-me desse homem complicado”.