Luís 15 teve uma disenteria brava em agosto de 1744. Ficou tão mal que quiseram dar-lhe a extrema-unção. A Igreja não permitiu porque o rei morava com a amante, a duquesa de Châteauroux. Para pasmo do povo, o bem-amado dispensou a linda concubina e recebeu a comunhão. Jurou fazer uma igreja para santa Genoveva se sobrevivesse. Como os médicos não soubessem o que ele tinha, a corte convocou à sorrelfa um clínico judeu, Isaias Ulmann, que debelou a então desconhecida febre tifoide. Luís 15 se salvou, mas, devido ao antissemitismo, a cura foi atribuída à padroeira de Paris e não ao doutor alsaciano. Não havia orçamento para pôr a igreja em pé e o rei apelou para o estratagema clássico dos governos com caixa esquálida: promoveu uma imensa jogatina, a loteria real. Mesmo com as bets, a santa ganhou, mas não levou, pois a igreja ficou pronta só na revolução, em 1789, e foi estatizada. Tornou-se o Panthéon, o mausoléu dos pais da pátria.