Há anos, um fenômeno recorrente no cenário político brasileiro desperta uma reflexão profunda e necessária: a intensificação de operações e investigações policiais precisamente em anos eleitorais. É um cenário que incomoda não apenas pela coincidência temporal, mas pelo impacto direto que causa na lisura e no equilíbrio do processo democrático. Antes de avançar, é fundamental registrar uma premissa inegociável: confio integralmente no serviço da Polícia, do Ministério Público e do Judiciário brasileiro. Essas instituições são as guardiãs da nossa República e pilares do Estado de Direito. No entanto, o respeito institucional não nos deve cegar para a urgência de aprimorar os ritos, evitando que a justiça seja confundida com o espetáculo ou utilizada como ferramenta de desgaste político. Algo precisa ser feito. Não defendo, em hipótese alguma, uma “blindagem” para detentores de cargos públicos ou pré-candidatos. A lei deve ser igual para todos. Todavia, urge que o Congresso Nacional estabeleça regras objetivas para operações policiais que envolvam pessoas públicas em períodos eleitorais. É preciso disciplinar o rito para não assistirmos, passivamente, a cidadãos sendo expostos de forma irremediável por supostos crimes que, muitas vezes, no momento do oferecimento da denúncia, sequer são acolhidos pelo Judiciário.