O Brasil voltou a erguer um troféu relevante na saúde pública: o certificado de país livre do sarampo, recuperado após cinco anos de vigilância e esforços conjuntos. A chancela, feita pela Organização Pan-Americana da Saúde (Opas), em outubro, vai além de um título formal. Simboliza vidas protegidas, hospitalizações evitadas e um sistema de saúde resiliente, mesmo em meio às dificuldades. No entanto, não podemos permitir que o brilho dessa conquista esconda os desafios ainda presentes. A saúde pública, como nos ensina a história recente, é uma corda bamba. Entre 2018 e 2019, mais de 10 mil casos de sarampo colocaram o Brasil em alerta, levando à perda da certificação obtida em 2016. Falhas na cobertura vacinal e a corrosiva desinformação abriram caminho para o retorno de uma doença já controlada.