A política não tem nada a ver com o Oscar, está fora de lugar na missa negra com que Hollywood propagandeia suas mercadorias. As celebridades, novas divindades de um mundo nada divino, são o chamariz do ritual máximo do soft power norte-americano. Mas, na sua última edição, a política se fez presente por meio da ausência. A Casa Branca soltou seus pitbulls israelenses em cima dos palestinos, aleijando e assassinando milhares. Mandou a matilha militar sequestrar o presidente da Venezuela. Açulou a cachorrada policial contra imigrantes. Agora morde e despedaça iranianos, libaneses, passantes. E o que os inquilinos do Olimpo disseram da política imperial de mortandade em massa na noite de gala? Nada. Foi preciso que um alienígena, o ator espanhol Javier Bardem, lembrasse o que os Estados Unidos infligem ao mundo. Bastaram-lhe seis palavras: “Não à guerra e Palestina livre”.