Quando “Cinzas no Paraíso” estreou, em 1978, centenas de queixos caíram na sala de gala do Festival de Cannes. Eram críticos boquiabertos com o filme de Terrence Malick, o cineasta americano que dirigira apenas o pouco visto “Terra de Ninguém”. Ficaram embasbacados pelo pior dos motivos: não sabiam explicar por que o filme deslumbrava. Um crítico sensato, Gilberto Perez, deu um bom conselho aos colegas: “Se não entendeu o filme, elogie a fotografia”. Assim foi feito e “Cinzas no Paraíso” ganhou a Palma de Ouro. O conselho não era cínico. O visual de “Terra de Ninguém” é de fato fascinante –foi todo filmado na “hora mágica”, a da aurora e do crepúsculo, quando as paisagens são acariciadas pelo Sol ruborizado na linha do horizonte. Tanto que o filme veio a ganhar o Oscar de Fotografia. Malick tornou-se o Graal de Hollywood. Choveram propostas polpudas para filmar o que quisesse, com liberdade total. E ele fez algo assombroso: sim salabim, sumiu. Ficou 20 anos sem filmar nem falar. Não se sabia nem em que país vivia.