Pela primeira vez, em 2025, o Atlas da Violência — elaborado pelo Instituto de Pesquisa Econômica e Aplicada (Ipea) e pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública — resolveu escancarar uma realidade que é, muitas vezes, ignorada: a violência no trânsito. Para muitos, isso soa como uma novidade, mas não é. Já em 2010, a Organização das Nações Unidas (ONU) lançava a Década de Ação pela Segurança no Trânsito com uma meta clara: reduzir em 50% as mortes até 2020. O Brasil, no entanto, seguiu na contramão. Em vez de diminuir, registrou um aumento de 13,5% nas mortes em relação aos dez anos anteriores e entrou em uma nova década (2020-2030) repetindo o erro — sem ações estruturantes, e com uma tendência de aumento da mortalidade. Tal resultado, conforme apontado pelo documento do Ipea, possui como principal razão a explosão de mortes entre motociclistas, as quais cresceram 10 vezes em 30 anos. Enquanto as motos se multiplicaram nas ruas — impulsionadas pelo menor custo de aquisição e manutenção comparada ao automóvel, incentivos fiscais, transporte alternativo e, mais recentemente, em razão da utilização de motos em serviços de e-commerce elevada durante a pandemia — as políticas de trânsito não acompanharam, proporcionalmente, em investimentos na infraestrutura e gestão.