O torneiro mecânico Fernand Iveton foi tirado da cama pelos guardas pouco antes das cinco horas da manhã e empurrado aos safanões para o pátio da prisão. Seus advogados lhe contaram que o presidente negara o indulto. Era segunda-feira, 11 de fevereiro de 1957. O escrivão perguntou se tinha algo a declarar. “A vida de um homem, a minha, pouco importa”, disse. “O que importa é a Argélia. Ela será livre amanhã”. O capelão indagou se precisava de orações. Iveton ensaiou um sorriso e disse que não. O carrasco o aguardava ao pé do cadafalso. Espantou-se ao saber que o condenado se chamava, como ele, Fernand. Verdugo e vítima também compartilhavam legados paternos. Um Fernand, o apelidado de Senhor de Argel, era filho de carrasco. O outro, o comunista com os braços amarrados às costas, filho de comunista.