Há mais de quatro décadas atuando com o trabalho voluntário, tive o privilégio de acompanhar a evolução da saúde brasileira e, ao mesmo tempo, constatar que um dos elementos mais importantes do cuidado continua sendo o mesmo: a capacidade de acolher pessoas. A ciência, a tecnologia e a qualificação das equipes transformaram a assistência em saúde, mas nenhuma inovação substitui a força de um olhar atento, de uma escuta verdadeira ou da presença de alguém disposto a caminhar ao lado de quem enfrenta um momento de vulnerabilidade. Essa convicção ajuda a explicar por que acredito que o voluntariado ocupa um papel cada vez mais relevante na construção de um sistema de saúde mais humano. Não se trata apenas de solidariedade. Trata-se de uma atuação estruturada, preparada e responsável, que complementa o trabalho das equipes assistenciais e fortalece a relação entre as instituições de saúde e a sociedade.