Zuca Sardan era uma farpa no assoalho enceradinho das letras bestas. Começou a fazer poesia quando Jeová rascunhava a Bíblia e a baleia de Jonas era uma sardinha. Tomou um tombo e morreu, em 6 de agosto, em Hamburgo, na Alemanha. Tinha vetustos 93 anos. Legou milhares de poemas e desenhos que tendem à patuscada, ao passado presenteável, à autoimolação de auto-de-fé, ao vazio —e o vazio não estava nem aí para ele: “Dos Sete Pilares da Sabedoria sobraram seis miragens, cinco palmeiras, quatro odaliscas, três tamborins, duas ventarolas, um siroco... zumbindo”. Assim sintetizou uma corista, mas de coro grego: lê-lo é estar subitamente acompanhada de Adoniran Barbosa e Schopenhauer. Zuca revidava: “Das Sete Quimeras sobraram seis calcinhas bordadas, cinco garrafas de champanhe, quatro rolhas, três garçons, duas bandejas, uma cartola... furada”.