Em apelo para a retirada de projetos que criam contribuição sobre produtos agropecuários, entidades que representam o setor se reuniram por quase três horas, na tarde desta segunda-feira (21), com o governador Ronaldo Caiado (UB), que descartou a possibilidade. Apesar de não fazer compromissos sobre o teto da cobrança, Caiado afirmou que terá "sensibilidade" ao editar decreto com os porcentuais da contribuição. Os projetos foram aprovados pela Assembleia Legislativa de Goiás (Alego) em primeira votação na última quinta-feira (17) e seguem para a segunda nesta terça-feira (22), quando novamente os votos serão exclusivamente presenciais, por determinação do presidente da Alego, Lissauer Vieira (PSD), que é contrário à cobrança.Leia também:- Lideranças do agro tentam negociar aumento escalado da contribuição- Com receio de votação dos projetos do agro, Caiado cancela viagem- Líderes de partidos de Goiás veem dificuldades em fusões ou federações"Tenho perfeito conhecimento da situação do agro. Não vou ferir quem já está sangrando", afirmou o governador, na reunião com representantes da Federação da Agricultura e Pecuária (Faeg), Sociedade Goiana de Pecuária e Agricultura (SGPA), Organização das Cooperativas do Brasil (OCB-GO) e Associação dos Produtores de Soja (Aprosoja-GO). Os próprios dirigentes solicitaram a reunião e Caiado cancelou audiências para recebê-los.Em nota conjunta, as entidades afirmaram, após a reunião, que "o setor está envolto de riscos inerentes à produção, como o aumento dos custos, situação climática, além de incertezas quanto às políticas públicas nacionais". "Logo, criar uma nova taxa ao setor é um risco ao desenvolvimento do estado e do país", completa. A nota diz que Caiado informou que não será possível a retirada. Nos bastidores, eles afirmam que seguirão mobilizando produtores para protestos na Alego.O Giro mostrou nesta segunda que lideranças do setor tentariam negociar um escalonamento da cobrança ao longo do mandato de Caiado, com limite de até 0,8% em 2023. A proposta do governo prevê teto de 1,65%, que será para a soja, conforme informações do próprio governador. Por conta da pressão sobre os deputados e do posicionamento de Lissauer, Caiado cancelou a viagem que faria para a Inglaterra no último sábado (19). É que alguns deputados também tinham viagem marcada para esta semana e podem adiar por conta da exigência do voto presencial.Convicto de que conseguirá aprovar os projetos - um que altera o Código Tributário Estadual criando a cobrança e outro que cria o Fundo Estadual de Infraestrutura (Fundeinfra), para onde irão os recursos arrecadados -, Caiado não sinaliza para aceitação de redução de limite de teto.***E-mail: fabiana.pulcineli@opopular.com.brTwitter: @fpulcineliFacebook: fabiana.pulcineliInstagram: @fpulcineli