Fé e política Nos últimos anos estamos presenciando um fenômeno crescente e inquestionável, que é a tentativa de se ligar candidaturas a igrejas, com ações dos dirigentes das mesmas em franco apoio aos escolhidos e procurando mostrar para os fiéis que são esses os mais legítimos e ungidos para ocupar os cargos, pois contam com o apoio da referidas congregações. Por outro lado, os pré-candidatos, convencidos de que precisam se colocar como defensores dos princípios religiosos que norteiam tais igrejas. Os postulantes, como visto frequentemente, discursam defendendo pautas e ideias que até pouco tempo não defendiam de maneira tão incisiva, pois precisam agradar aos que os ouvem no evento religioso, à procura dos votos que poderão elegê-los. Tais constatações nos remetem a um princípio constitucional e de extrema relevância: somos um país laico, não podendo as políticas de estado se submeterem a princípios religiosos de qualquer natureza ou voltados apenas para as pessoas que os professam. O mundo está cheio de exemplos de governos teocráticos, em que a religião dita as normas e condutas de seus cidadãos, impondo o dia a dia das pessoas, que pagam até com a própria vida o fato de não aceitarem a submissão à religião majoritária.