Césio 137 A série da Netflix “Emergência Radioativa” teve o grande mérito de reavivar o debate sobre o gravíssimo acidente radiológico em Goiânia com o Césio 137, assunto que a maioria das novas gerações desconhecem. Mas correções precisam ser feitas, entre elas o papel fundamental exercido pelo governador Henrique Santillo, médico que, junto com seu secretário da Saúde, Antônio Faleiros, também médico, tiveram ao saber ouvir e respeitar a ciência do físico Walter Ferreira que detectou a radiação. Se não tivessem percebido de imediato a seriedade do acidente, acionando a CNEN, as consequências teriam sido perigosamente maiores. O diretor técnico da CNEN, Júlio Rosental, e sua equipe, entraram para a história pela seriedade e dedicação na ajuda à condução da mitigação do acidente. Na entrevista publicada em O PoPULAR do dia 7 passado, Faleiros reconhece o papel de Rosental e, com razão, mostra o descaso do presidente da CNEN, Rex Nazaré, bem como a falta de apoio do Governo Federal, mesmo tendo o goiano Iris Rezende Machado como ministro da Agricultura. Lembramos que o presidente Sarney, logo depois do acidente nuclear de Chernobyl, formou uma Comissão para indicar medidas de segurança sobre usinas nucleares, pois no Brasil uma das usinas de Angra dos Reis já funcionava desde 1985. O relatório da Comissão, que incluía a mudança da estrutura da CNEN, foi ignorado. Parabéns ao O POPULAR pela série de entrevistas e reportagens que não deixam esquecer este triste acidente, descaso de profissionais médicos que deveriam saber do perigo de abandonar um aparelho que contém material radioativo em um prédio em ruínas, e da CNEN, que não exercia sua função de fiscalizar o uso da energia nuclear no Brasil.