Legal, mas imoral É recorrente a justificativa de membros do Judiciário ao tratar de seus altos salários: afirmam que tudo está dentro da lei e que a remuneração é compatível com o trabalho exercido. O argumento, no entanto, soa distante da realidade da maioria da população. Cabe a pergunta: tudo o que é legal é também justo? É correto e defensável diante de um país com grande parcela de trabalhadores de baixa renda e desempregados? Casos recentes reforçam essa percepção. Uma juíza no Rio de Janeiro reclamou de receber pouco mais de R$ 100 mil mensais. Em Goiás, a Associação dos Magistrados (Asmego) criticou resolução que regulamenta verbas indenizatórias, alegando “perdas remuneratórias expressivas”. Também chama atenção o regime de férias da magistratura, superior ao da maioria dos trabalhadores.