Eleições 2026 Eu sinto que o ano eleitoral chega antes mesmo de ser anunciado. De repente, as conversas mudam de cor. As palavras, que antes eram ponte, passam a ser trincheira. Não, eu não vou entrar em conflito com aqueles que não votam no candidato de minha preferência. Aprendi - ainda que tardiamente - que discordar não precisa ser uma forma de ferir. Há quem fale alto porque perdeu o jeito de escutar. E eu, que ainda cultivo esse pequeno silêncio por dentro, prefiro não gritar de volta. Não vou me desentender com meu vizinho porque ele colou, sem meu consentimento, um santinho que me provoca mais cansaço do que raiva. Talvez ele também esteja tentando acreditar em alguma coisa - e isso, por si só, já é um gesto humano. Não vou me irritar no trânsito diante de uma carreata. Aqueles carros enfeitados, buzinando certezas, me parecem mais um desfile de urgências do que de convicções. Também não vou à mesa de bar para esfolar quem espalha mentiras como se fossem sementes. Há quem plante vento e depois reclame das tempestades. Eu, por minha vez, prefiro cultivar dúvidas - elas são mais honestas que muitas verdades prontas.