Mesários Dirijo-me a este respeitável veículo para suscitar reflexão crítica acerca de recente chamamento público promovido pelo Tribunal Superior Eleitoral, conclamando os cidadãos a atuarem, de forma voluntária e gratuita, nas eleições de outubro de 2026. É inegável a relevância do processo eleitoral e a imprescindível participação da sociedade civil, em sua concretização. Todavia, causa estranheza - para não dizer perplexidade - que, em um sistema amplamente financiado por recursos públicos, se exija do eleitor o exercício de função essencial sem qualquer contraprestação pecuniária. De um lado, o Estado brasileiro destina cifras milionárias ao financiamento partidário e às campanhas eleitorais por meio de fundos públicos robustos, transferidos regularmente às agremiações políticas. De outro, convoca-se o cidadão comum a contribuir gratuitamente com seu tempo, trabalho e responsabilidade, em nítido descompasso com os princípios da razoabilidade e da proporcionalidade que regem a administração pública.