Penduricalhos Era comum dizer-se que o Brasil poderia ser considerado uma Belíndia, nome derivado de dois países: a Bélgica (Primeiro Mundo) e a Índia (bem atrás na classificação social). Tal nome tinha por objetivo reforçar a desigualdade social, em que menos de 5% da população vive no topo da pirâmide, com salários dignos, escola particular para os filhos, mais de um carro por família, viagens de férias para longe, comendo do bom e do melhor. O restante (95% da população) luta duramente para sobreviver, andando de transporte coletivo, vivendo em zonas de intenso risco de morte por violência (78 milhões de brasileiros, segundo estudo recente), passando fome, acometidos por doenças decorrentes de más condições higiênicas, e por aí vai. Talvez por estarmos há séculos convivendo com a desigualdade social, dizem que o Brasil é “o país do futuro”, futuro esse que não chega nunca e que, a considerarmos os absurdos salários pagos em todos os níveis de poder, tem mínima possibilidade de chegar um dia.