Retirada de árvoresA árvore estava podre. Que coincidência! Goiânia tem um dom peculiar: suas árvores entram em colapso orgânico exatamente quando uma construtora precisa do terreno. É uma síndrome misteriosa, ainda não catalogada, chamemos de podridão seletiva de conveniência. O mecanismo é simples e já testado. A empresa protocola o pedido. A Amma visita. A árvore, que na semana anterior sombreava calçadas, abrigava aves e reduzia a temperatura do asfalto em alguns graus preciosos neste forno, é subitamente diagnosticada como ameaça à vida humana. Laudo emitido. Motosserra acionada. Lucro garantido. Ninguém chora. Afinal, era uma árvore podre. O que impressiona não é a velocidade do processo, é a precisão cirúrgica com que a podridão acomete especificamente as árvores localizadas em lotes valorizados, próximas a empreendimentos de alto padrão ou em avenidas cujos canteiros centrais incomodam o traçado do novo condomínio. Árvores em bairros sem interesse comercial, curiosamente, envelhecem com saúde admirável. A Amma, diga-se, existe (ou deveria existir) para proteger o meio ambiente. Existe no papel, no regimento, no organograma da prefeitura e nos discursos de campanha. Na prática, tem operado como balcão de autorizações com rito sumário e fundamentação elástica. E as construtoras? Bem. Elas apenas obedecem à lógica do mercado. Não se pode culpar quem só pensa em lucro por pensar, de fato, apenas em lucro. O problema está em quem deveria pensar diferente, e não pensa. Goiânia foi planejada com arborização como elemento estrutural, não decorativo. Hoje, derruba-se estrutura para erguer decoração de fachada. Enquanto isso, a temperatura da cidade sobe. O cidadão transpira. Transbordam os córregos. E a árvore, que estava podre (juro que estava) vira mais um cupim no processo de desflorestamento urbano disfarçado de gestão municipal. Que as autoridades competentes expliquem, com laudos acessíveis ao público, os critérios técnicos que definem uma árvore como risco. Que os laudos sejam publicados. Que os requerentes sejam identificados. Que o intervalo entre o pedido da construtora e a autorização da Amma seja auditado. Ou continuaremos admirando o concreto onde havia sombra, e ouvindo que a culpa era da árvore. Cláudio Brandão Goiânia-GO Semáforo Na Av. Goiás Norte, um pouco à frente da Igreja Presbiteriana Metropolitana de Goiânia, tem um semáforo de pedestres onde eu nunca vi atravessando ninguém, ou seja, não serve para nada. Mesmo com a botoeira, esse semáforo fecha sem ninguém acioná-lo. André Gustavo Fleury de Melo Centro- Goiânia