País do futuro Era comum ouvir das pessoas mais idosas uma frase por demais conhecida das pessoas de minha geração: “O Brasil é um país do futuro, pois tem riquezas minerais invejáveis, solo muito fértil, clima propício, muita água e um povo trabalhador”. Tais afirmativas me deixavam feliz, na certeza de que um dia encontraria um país de primeiríssimo mundo, onde as pessoas viveriam felizes, sem pobreza, com transporte coletivo de primeira qualidade, escolas de excelente padrão, segurança pública invejável, salários justos e dignos, estradas e ferrovias de alto quilate, enfim, o futuro chegaria e com ele a situação de enorme desigualdade social em que nos encontrávamos seria parte do passado e página virada. Os anos se passaram, o futuro foi ficando cada vez mais para o futuro, os problemas se avolumaram em quantidade e magnitude, os governantes se sucederam, a corrupção se tornou parte indissolúvel de nosso viver, a criminalidade e a impunidade não ficaram atrás, as falsas promessas naturalmente não se cumpriram, o engodo, a agressividade, a não aceitação das diferenças, a misoginia, o feminicídio, a violência sexual e a exploração de menores, a venda da fé, o descrédito à ciência, o entreguismo, a isenção de impostos que deveriam ser pagos pelas igrejas suntuosíssimas e cujos donos surfam na opulência e nos passeios com aeronaves permitidas apenas aos grandes magnatas. Quantas coisas mais poderíamos elencar e agregar àquelas citadas acima, pois a lista é quilométrica. e parece não ter fim. Os exemplos dos poderes constituídos no tocante aos salários de marajá, então, são um acinte sem tamanho e um escárnio para nosso sofrido povo, tendo-se a impressão de que o céu é o limite, e os recordes de gastos sem freio fazem inveja a qualquer Olimpíada, numa vigorosa e contínua briga pelo primeiro lugar entre os poderes estabelecidos em nossa Constituição; quem gasta mais e sem qualquer pudor? Ao final de tudo, permanece a pergunta que não quer, não pode e não deve calar: resta-nos um fio de esperança de vermos algum dia um país mais justo para sua marginalizada e miserável população? Luciano Leão Bernardino da Costa Goianésia - Goiás ChargeSou assinante de O POPULAR há mais de 30 anos. Meus filhos me criticam dizendo que posso ler as notícias no celular. Mas é uma terapia ler o jornal impresso todas as manhãs. Ultimamente ando triste com nosso chargista, que talvez por falta de criatividade resolveu transformar o espaço, que deveria ser de humor, em exposição de sua ideologia política, um verdadeiro militante. Luiz Antônio Calaça Granville - Goiânia