Goiânia na CopaExiste uma Goiânia que aparece só de quatro em quatro anos. Ela surge quando a Seleção Brasileira entra em campo. É como se alguém apertasse um botão de pausa. O comércio baixa as portas, as avenidas perdem o trânsito costumeiro e, depois das duas da tarde, a cidade ganha um silêncio que mais parece feriado. De repente, sobra espaço nas ruas, nos parques e nos pontos turísticos. A pressa desaparece. Goiânia parece respirar mais devagar. Talvez esse seja o melhor momento para passear pelo Parque Flamboyant, admirar a Praça Cívica, ou simplesmente dirigir pela cidade sem enfrentar congestionamentos. É uma Goiânia rara, tranquila e quase exclusiva para quem resolve ignorar os 90 minutos de futebol. Pena que eu jamais vou descobrir se isso é realmente tão bom assim. Afinal, enquanto a cidade fica vazia, eu estarei exatamente de olho na Seleção, torcendo, sofrendo e comemorando. Conhecer uma Goiânia sem trânsito é tentador... mas perder o jogo do Brasil quase me deixa menos goianiense. Marcos Neiva Crispim Aparecida de Goiânia Moradias no Centro Sei que serei incompreendido por pessoas que não moram e talvez nem passem por aqui há algum tempo, mas na condição de morador do Centro de Goiânia há 57 anos, não posso me calar diante da barbaridade que estão programando fazer com o nosso setor, sob a justificativa de ¨requalificar¨ e ao mesmo tempo oferecer moradias à população de baixa renda, ou seja, copiar modelos que não deram certo ou não avançaram em Curitiba, Lisboa e cidade do Porto. Olha que são cidades com renda muito superior a de Goiânia. Prometem acompanhar as famílias até se adaptarem sem quintal, sem horta, sem cachorro, sem poder pular janelas, etc. Mas será que vão fazer mesmo essa assistência? Se querem atrair pessoas e comércio para o Centro de Goiânia, por que não reformam e abrem o Mutirama? Por que não implementam o projeto de construção em alvenaria do Mercado Aberto da Avenida Paranaíba? Por que não voltam com as atividades festivas na Praça Cívica? Por que não deslocam algumas secretarias municipais para o setor? Por que não realizam o retrofit dos prédios abandonados (dando prioridade para quem já mora de aluguel aqui) e das edificações em art déco? Aliás, onde foi parar a promessa de pintar os prédios das principais vias? Por que não desapropriam e demolem imóveis inservíveis? Por que não reabrem as escolas públicas fechadas? Por que não atuam fortemente na questão dos moradores de rua, cuja situação atual é mais policial do que social, haja vista o volume de crimes de toda ordem (furtos, roubos, bloqueio da liberdade de ir e vir dos moradores, tráfico de drogas, etc). Macilene R. de Oliveira Centro - Goiânia