Estado laicoAo me deparar, lendo O POPULAR nesta quinta-feira (30), com a notícia de que o presidente executivo do órgão nacional de igrejas do segmento evangélico Assembleias de Deus, com o intuito de influenciar na escolha do candidato a vice-governador em Goiás, disse que gostaria de ver um de seus membros escolhido candidato a tal cargo na chapa do atual chefe do Executivo goiano, fiquei mais uma vez preocupado com a inaceitável interferência em algo que não deve ter qualquer viés religioso. Com efeito, a Constituição Federal de 1988 é bem clara ao dizer que o Brasil é um estado laico, o que significa dizer que estado e igreja não se misturam, tendo o primeiro a obrigação de destinar suas ações, quaisquer que sejam elas, igualmente para todos os cidadãos que são brasileiros. Independentemente de terem ou não alguma opção religiosa cristã ou serem adeptos de seitas religiosas de raiz africana, espíritas, kardecistas, islamitas, religiões orientais, ou mesmo, obviamente, os ateus e agnósticos, a Constituição Brasileira não os separa por classes e estratos. Todos são cidadãos brasileiros.Por consequência, seria extremamente injusto e descabido se alguns segmentos religiosos passassem a ter maior fatia de benefícios públicos somente por serem partícipes e membros dessa ou daquela religião, pois todos pagamos impostos para sustentar o estado em suas políticas públicas e não podemos ser discriminados mercê de nossas opções de vida religiosa, civil, sexual ou outra orientação que somente a cada um diz respeito.E aí reside o perigo que a todo momento se percebe: segmentos religiosos, descaradamente, apresentam, através de seus líderes maiores, pré-candidatos a cargos eletivos como ungidos e escolhidos por Deus, claramente forçando o voto de seus seguidores para alcançar a eleição dos indicados em púlpito ou altar dos templos.Tais eleições, obviamente, serão eivadas do comprometimento dos eleitos para com o grupo religioso que lhes garantiu grande quantitativo de votos.Que a nossa Justiça Eleitoral esteja atenta para essas questões e as coíba firmemente, tomando por princípio o que rege nossa carta maior: o Brasil é um país laico, onde todos têm igualmente seus direitos, deveres e são merecedores das ações do estado. Luciano Leão Bernardino da CostaGoianésia - GO InflaçãoJuros altos, inadimplência recorde e atividade econômica retraída... esse IPCA-15 de julho, divulgado pelo IBGE, de apenas 0,06% ninguém esperava. Ótima notícia, já que, no mês de junho o índice foi de 0,41%. Mas, difícil dizer se a inflação nos próximos meses vai continuar recuando.Paulo PanossianSão Carlos-SP