Podas drásticasA matéria “Relatório da Amma ataca poda drástica” expõe um problema que vai muito além da Equatorial: a ausência de fiscalização técnica efetiva do município sobre um serviço que mexe, todos os dias, no patrimônio arbóreo de Goiânia.Chama atenção o fato de o próprio relatório da Amma reconhecer que o termo de cooperação técnica vigente até fevereiro nem sequer definia a forma das podas ou exigia responsável técnico da concessionária. Ou seja: por anos, a cidade permitiu que uma empresa privada decidisse sozinha, sem qualquer parâmetro técnico, como intervir em árvores que são bens públicos. O “avanço” comemorado com o novo termo foi, na prática, apenas positivar uma obrigação mínima que já deveria existir desde sempre. Mais preocupante ainda é o que se lê nas entrelinhas do relatório: mesmo diante de oito exemplos de podas drásticas documentadas (com “rebaixamento excessivo”, cortes em “V” e “U” e descaracterização da arquitetura natural das copas), a autorização concedida à Equatorial permanece válida. A gerência técnica da Amma recomenda a suspensão imediata das referidas autorizações e avalia a rescisão do acordo, mas a decisão segue represada, dependendo de análise jurídica e da presidência da autarquia, sem prazo definido. Enquanto isso, a concessionária continua autorizada a podar. Esse é o retrato de um modelo de fiscalização essencialmente reativo. O acompanhamento das intervenções depende de reunião mensal e de grupo de WhatsApp entre técnicos, não de presença de campo, prévia e vinculante, com poder de embargo imediato diante de qualquer poda fora do padrão técnico. Na prática, a Amma só toma conhecimento do estrago depois que ele já foi feito: por denúncia da população; por reportagem de imprensa, ou pela própria constatação posterior de suas equipes. As consequências dessa omissão não são apenas estéticas. Árvores submetidas a podas drásticas sofrem desequilíbrio biomecânico, perda de capacidade fotossintética, maior suscetibilidade a doenças e pragas, redução de vida útil e, em muitos casos, aumento do risco de queda. Isso significa menos sombra, mais calor nas vias públicas e mais risco para pedestres e veículos, em uma cidade que já sofre com ilhas de calor e infraestrutura viária sobrecarregada.Cláudio BrandãoGoiânia-GO Crise no STFNão é direita ou esquerda, é o certo e o errado. Que investiguem tudo e todos. Necessário que todos nós cobremos justiça sem viés político e punição.Carlos Alexandre PinheiroGoiânia-GO