Eleições 2026Na encadernadora de minha mãe, um homem cego escolhia o couro dos livros com as pontas dos dedos. Menino ainda, eu ficava fascinado: como reconhecia o melhor couro sem vê-lo?Com o tempo, aprendi sobre olhos. Descobri que há os que se fixam na ilusão e olhos que se comprometem com a clareza.Em tempos de certezas fabricadas e imagens que inflamam antes da razão, corremos o risco de ceder a outros a lucidez do nosso próprio olhar. Esquecemos que ver é também interrogar - é notar a fissura entre o discurso e o ato, entre a verdade e sua encenação.Escolher exige desarmar a vista: afastar o ruído, a raiva e o conforto de acreditar apenas no que nos anestesia. Saint-Exupéry nos lembrou que o essencial é invisível aos olhos. Mas há também o visível que, por medo ou conveniência, recusamos enxergar. Escolher é aprender a ver. E ver é o ato mais corajoso do pensamento. Aquele homem que levava seus livros em Braille para encadernar me ensinou que a verdade requer tempo e delicadeza - o toque atento que percebe o que a preguiça ignora.Diante das urnas, que saibamos tocar a nossa escolha com essa mesma sabedoria. Que a mão vote com liberdade, o olhar com discernimento e o coração sem ódio. Afinal, cada voto encaderna o livro da nossa história. E cabe a nós escolher as páginas que merecem permanecer abertas no futuro da nossa pátria.Marcos Neiva CrispimV. São Tomaz - Aparecida de GoiâniaBananicultura O Fantástico, Rede Globo/TV Anhanguera apresentou o projeto do Profissão Repórter que seleciona estudantes, num desafio do Globo Rural. A dupla Enzo Carmignolli Gomes (PUC-GO) e Ísis Leites (UFSC), com a pauta banana, mostrou os desafios da produção orgânica do casal Roberto Akira e Rosa Kurashima em Miracatu, São Paulo. A crise na cadeia produtiva da banana também é motivo de preocupação para os produtores da Região de Bom Jesus da Lapa, na Bahia; na região de Delfinópolis, em Minas Gerais, onde forte tempestade dias atrás provocou prejuízos, e no Vale do Ribeira, em São Paulo, pela cheia no Rio Ribeira de Iguape. Esta cadeia pode ser afetada pela logística, custos de produção, queda nos preços da fruta, influência do clima pela ocorrência de temporais com granizo ou fortes precipitações pluviométricas num curto espaço de tempo. E ainda pelo risco de novas pragas. Hoje o maior risco é o da introdução do Fusarium oxysporum f. sp. cubense raça 4 tropical, ausente no Brasil, mas com grande potencial de causar danos, caso introduzido, tanto por inviabilizar o plantio comercial de várias cultivares, quanto pela facilidade de disseminação por mudas contaminadas ou por enchentes. Lembro que o dia 22 de setembro é o Dia Mundial da Banana. Parabéns aos bananicultores! Juracy Rocha Braga Filho Jardim Goiás – Goiânia