A Copa do Mundo nunca foi apenas um evento esportivo no Brasil. Ela foi um projeto de identidade nacional. O mundial deste 2026, entretanto, está diferente por conta de transformações estruturais, provocadas pela revolução tecnológica que reconfigurou o mercado de mídia. Essas transformações se refletem na sociedade brasileira. O Grupo Globo, que teve exclusividade até 2022, adquiriu um pacote de 55 partidas neste ano. A CazéTV (YouTube) tornou-se a única plataforma a deter os direitos de todos os 104 jogos do torneio, 48 deles exclusivos. O SBT retornou à cobertura da Copa após 28 anos, sublicenciando 32 jogos para a TV aberta e à plataforma digital N Sports. E contratou Galvão Bueno, voz histórica da Globo, como trunfo de marketing. Na partida Brasil x Haiti, na sexta-feira (19), a CazéTV bateu recorde de público, com 16,1 milhões de dispositivos conectados ao mesmo tempo. O Grupo Globo manteve a liderança, com 51,3 milhões de pessoas espalhadas por seu ecossistema: TV aberta, Sportv e GeTV. Essa fragmentação gerou as mudanças visíveis neste mundial.