A pesquisa Quaest/TV Anhanguera, divulgada nesta quinta-feira (24), identificou incertezas nesta eleição a uma semana do pleito, no domingo (4). Uma das dúvidas é sobre qual é o desempenho real do candidato a governador Wilder Morais (PL). A direita bolsonarista é forte em Goiás, quase elegeu o prefeito de Goiânia em 2024 e a expectativa era colocar seu candidato no segundo turno da disputa pelo governo. Não é o que os números da Quaest mostraram.A uma semana da eleição, a rejeição do senador aumentou 6 pontos percentuais (pp), ele cresceu apenas 3 pp na estimulada; e não agregou eleitores entre o primeiro turno e um eventual segundo turno (apareceu com 15% na estimulada de primeiro turno e 14% no segundo). Além disso, com 15% das intenções de voto, Wilder não ultrapassou Marconi Perillo (ele tem 19%), como seu grupo esperava. Por fim, Daniel Vilela cresceu e se isolou em primeiro lugar (com 42%), com possibilidade de vencer no primeiro turno.A direita bolsonarista espera uma onda de última hora a favor de Wilder como ocorreu no primeiro turno da campanha de Fred Rodrigues a prefeito de Goiânia, em 2024, e na eleição do próprio Wilder para senador em 2022. Só que até agora ainda não nenhum sinal dessa onda.A dificuldade de Wilder é real ou é a metodologia da Quaest que não captou a onda bolsonarista, como em 2022? O engajamento dessa base política ainda virá com força suficiente para alterar os índices das pesquisas ou é Wilder que não mobiliza seus eleitores e por quê? Para compreender esse fenômeno procurei pesquisadores de outros institutos e todos têm mais ou menos a mesma opinião. Há diferenças da campanha bolsonarista em Goiás neste ano em comparação com as eleições de 2024 e de 2022.Sócios-diretores do instituto de pesquisa Santa Dica, Kaumer Nascimento e Kim Macherini dizem que há variáveis não estatísticas nas eleições, como o engajamento do eleitor, a conjuntura política e o perfil do candidato, que devem ser consideradas. Eles observam que não houve mobilização bolsonarista como nas demais eleições. Aliás, não houve nem mesmo participação de lideranças nacionais na campanha goiana.Em 2024, por exemplo, o ex-presidente Jair Bolsonaro esteve quatro vezes em Goiânia: em abril, junho, setembro e outubro. A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro fez reunião do PL mulher em Goiânia nas vésperas do segundo turno. Até o deputado federal Nikolas Ferreira (PL/MG) subiu no palanque de Fred Rodrigues, em agosto de 2024. Está prevista a vinda de Flávio Bolsonaro a Goiânia neste domingo, mas seu reforço chegará muito próximo da eleição.Mário Rodrigues Neto, diretor-executivo do Grupom Consultoria e Pesquisa, afirma que Wilder tem dificuldade de se firmar como nome do bolsonarismo. E lembra que, como na eleição de 2022, ele precisa de um validador externo, uma recomendação de um dos nomes grandes do bolsonarismo.Além da falta dessa validação, não houve integração das campanhas de Wilder e de Gustavo Gayer (PL), candidato a senador, o que diz muito sobre a divisão entre o bolsonarismo raiz, do qual Gayer faz parte, e o bolsonarismo com origem nos partidos do Centrão, caso do candidato a governador. Há desconfiança do primeiro grupo com Wilder, observa Ricardo Barbosa, sociólogo, professor da Faculdade de Ciências Sociais da UFG e integrante do DataUFG.Essa desconfiança ficou perceptível no mal-estar entre Wilder e Nikolas Ferreira, nesta semana. O deputado mineiro publicou em seu principal perfil no Instagram, com 22,2 milhões de seguidores, uma “colinha” com os nomes de seus candidatos em Goiás, sem incluir Wilder. Depois de articulações da campanha, Nikolas publicou um vídeo em seu segundo perfil oficial, com 5,2 milhões de seguidores, recomendando o voto no senador goiano.A evolução do adversário Daniel Vilela (MDB) é a conjuntura política que interfere no desempenho de Wilder. Ricardo Barbosa afirma que o governador conseguiu se colocar em Goiás como candidato de centro, impedindo a polarização vertical na eleição estadual. Nessa posição, ele atraiu tanto votos de lulistas quanto de bolsonanristas.Goiás que é um vigoroso reforço do polo bolsonarista nacional parece estar imobilizado neste ano e a consequência poderá ser uma ajuda para a eleição de Daniel Vilela.