As sabatinas realizadas pelo jornal O POPULAR e pela rádio CBN Goiânia com os candidatos Daniel Vilela (MDB), Luis Cesar Bueno (PT), Marconi Perillo (PSDB) e Wilder Morais (PL), entre a segunda-feira (10) e a quinta-feira (13), revelaram uma foto panorâmica da véspera da largada eleitoral. Como se viu na sabatina, o PL adicionou na polarização entre caiadistas e bolsonaristas uma, digamos, “subpolarização”, esta entre maguitistas (o governador Daniel Vilela, filho de Maguito Vilela) e iristas (a advogada Ana Paula Rezende, filha do ex-prefeito Iris Rezende). Candidata a vice-governadora na chapa do senador Wilder Morais (PL), Ana Paula transferiu dos bastidores do MDB para esta campanha a antiga divergência entre os dois líderes do MDB mortos em 2021. “O legado de Iris Rezende não tem dono (...) não pertence a nenhum grupo político ou arranjo de ocasião”, disse ela na convenção do PL, em 3 de agosto, em discurso claramente direcionado ao governador. Daniel contestou Ana Paula na sabatina. Disse que é “cria política” de Iris e que vai honrar o legado de seu partido. E mandou recado: “É lógico que não vou ficar entrando nessa discussão. Não pode falar o nome do meu pai, isso ou aquilo. Essas coisas são menores”. Seja como for, esse embate entre irismo e maguitismo imiscuiu-se nesta fase da campanha. A Daniel Vilela não interessa essa polarização, como ele deixou claro em sua manifestação. Ele prefere alavancar sua candidatura com popularidade de Caiado e de seu governo. Nesse sentido, o governador defendeu na sabatina as políticas de segurança pública do ex-governador – incluindo o veto à instalação de câmeras nas fardas dos PMs –, por elas serem consideradas exitosas. Mas a oposição encontrou um flanco para entrar nesse debate: o aumento dos feminicídios e dos crimes cibernéticos. O número de feminicídios em Goiás subiu 4,3% em 2025, um pouco superior ao crescimento nacional, de 4%, segundo o Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2025. Luis Cesar, Marconi e Wilder chamaram a atenção para a mudança nos tipos de crimes, antes mais dirigidos ao patrimônio (casas, comércio, bancos, cargas, veículos) e agora redirecionados aos meios digitais. E estão corretos. O Anuário revelou aumento de 429% nesses crimes entre 2018 e o ano passado e queda em todos os patrimoniais. Além disso, Goiás é o 7º estado (atrás de São Paulo, o 1º colocado, Distrito Federal, Paraná, Rondônia, Santa Catarina e Espírito Santo) com a maior taxa de registro de estelionato (incluindo os digitais) em 2025. Nesse aspecto, Daniel Vilela mostra um paradoxo: ele inova com uso de câmeras no programa IA contra o crime ao mesmo tempo em que veta o uso de câmeras pela PM. Elas são úteis não só para controlar a ação policial, como também para produzir provas contra criminosos. Marconi Perillo tenta ressuscitar a polarização entre o irismo e o marconismo que durou entre 1998 e 2014. Ele responsabilizou na sabatina o “governo do partido do Daniel” pelos problemas do Estado em seu primeiro mandato ao mesmo tempo em que coloca na conta do “governo do Daniel” o não pagamento da dívida do Estado nos sete anos do governo de Caiado. Luis Cesar Bueno se esforçou para exercer o papel para o qual foi escalado, tardiamente, pelo PT. Ele defendeu o legado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em Goiás e se propôs uma meta ambiciosa. Disse que quer ter 20% dos votos na disputa para governador, fato inédito na história do partido. A melhor votação do PT foi com Marina Sant’Anna, que receber 15% dos votos válidos em 2006. A largada eleitoral deste domingo (16) revela um tabuleiro onde o peso do passado e os desafios da modernidade se encontram em rota de colisão. Com as cartas finalmente postas à mesa, o eleitor goiano definirá se o estado seguirá o caminho da continuidade ou se as feridas abertas nas convenções e os novos debates sobre a gestão pública ditarão uma outra direção para o Palácio das Esmeraldas.