A internação do ex-governador Ronaldo Caiado (PSD), nesta quinta-feira (10), em São Paulo, por conta de uma pneumonia, afetou a campanha de sua mulher Gracinha Caiado (UB). O ex-governador iria nos eventos de sua mulher em todos os fins de semana até a eleição, mas sua participação nos encontros deste sábado (12) e domingo (13) no Entorno do Distrito Federal, em Porangatu e em Jussara foi cancelada.Com a dificuldade de avançar na disputa presidencial – Caiado perdeu intenções de voto nas pesquisas –, a eleição de Gracinha Caiado é sua prioridade. Ele quer também ajudar o governador Daniel Vilela (MDB) a vencer no primeiro turno. Em vídeo que publicou nesta sexta-feira (11), gravado no Hospital Vila Nova Star, ele tentou compensar sua ausência com apelos a favor de sua mulher: “Votando nela vocês estão votando em mim”, disse.A equipe de Gracinha tem confiança que ela será uma das senadoras eleitas exatamente pela força política do marido, mas teme cochilar e o segundo voto concentrar-se em um único candidato. Gracinha foi contra o lançamento de quatro candidatos avulsos pela base do governo, mas agora há em seu grupo quem enxergue um ponto positivo nessa diversidade de nomes. Ela pode evitar a concentração do segundo voto em um só nome.O deputado Zacharias Calil está entusiasmado com sua popularidade entre eleitores que esbarra pelas ruas. Em 40 anos de atuação como cirurgião pediátrico ele operou centenas de crianças, a maioria delas pelo SUS, e encontra pais agradecidos pelo caminho. Zacharias está feliz com o apoio que recebe de Daniel Vilela, que o convidou para ser candidato pelo MDB.O senador Vanderlan Cardoso trabalha com as armas que dispõe, o apoio de 224 prefeitos (acima dos 221 que apoiam Daniel) e da Assembleia de Deus Campo Campinas, sob a liderança do bispo Oídes do Carmo. O bispo faz reuniões periódicas com grande número de pastores para pedir engajamento na campanha do senador. Além disso, Vanderlan tem expectativa de receber voto útil da esquerda, que quer derrotar o deputado federal Gustavo Gayer (PL).Informações que apurei nesta semana indicam que prefeitos bem avaliados têm forte ascendência sobre eleitores de seus municípios. Eles imprimem santinhos com suas fotos e a “colinha” com os números de seus candidatos para serem distribuídos na véspera da eleição. Já a esperança com os eleitores da esquerda vem de informações que chegam até Vanderlan de movimentos em grupos de WhatsApp para descarregar nele os votos do grupo para tentar impedir a eleição de Gayer. Em 2024 a esquerda ajudou a virar o segundo turno da eleição em Goiânia a favor de Sandro Mabel (UB) e contra Fred Rodrigues (PL).O candidato Gustavo Mendanha é o patinho feio entre os candidatos a senador da base. Ele caiu em descrédito com o casal Caiado depois da difusão de uma campanha apócrifa, pedindo voto para a chapa “Gu-Gu”, referência aos dois Gustavo, ele e Gayer. Mendanha nega participação nesse movimento, mas até hoje não conseguiu nem mesmo conversar com o casal e tem sido constrangido a ficar distante dos dois em eventos da base. Apesar disso, Mendanha reafirma que pede votos para Gracinha e que confia na eleição dos dois.Gustavo Gayer está correndo por fora – e bem. Ele tem aparecido em segundo lugar em algumas pesquisas de opinião e em terceiro em outras. Sua base está otimista com sua vitória, alavancada pela direita bolsonarista, a exemplo do que aconteceu em 2022, com a eleição de Wilder Morais, e de virada, nas vésperas do pleito.Noves fora o otimismo de todos os candidatos, a disputa para senador exige cautela diante das incertezas sobre os dois votos e da indecisão de eleitores. Há favoritos, como se vê em pesquisas, mas todos os candidatos vão concentrar esforços nestes 20 dias restantes de campanha, daí a preocupação de Caiado com sua parada obrigatória no hospital – a sexta internação desde 2019.Há que se considerar ainda o confuso quadro nacional, atingido pela inacreditável briga entre ministros do STF. A julgar pelos acontecimentos desta semana, nada garante que há soluções à vista, ao contrário, há sinais de agravamento com consequência imprevisíveis nas eleições.