Imagina a seguinte situação. Um estádio grande e superlotado aguarda ansioso a partida de futebol de vida ou morte para os dois times. As equipes entram em campo e começam a discutir as regras do jogo. Passam horas nesse debate até que o capitão de um dos times recolhe a bola, cancela a partida e vai embora às vistas de uma plateia incrédula. A situação é uma metáfora para o que aconteceu na sessão do Supremo Tribunal Federal (STF), na terça-feira (15), marcada para decidir se o plenário abriria investigação para apurar as suspeitas de envolvimento do ministro Alexandre de Moraes com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Em vez de debater o mérito, os ministros se enveredaram pelas “preliminares”, com direito a show de horrores de suas excelências. Em “Grande Sertão: Veredas”, que completa 70 anos neste 2026, João Guimarães Rosa escreveu que “o fato faz fato”, para dizer que seguidos acontecimentos geram outros. Parece ser o que se sucedeu no STF. Lideranças políticas sempre têm uma ideia simplista para problemas complexos. A oposição de direita acha necessário mudar os critérios de escolha de ministros, como se fosse a regra a causa do colapso.