Depois de receber a confirmação de que Ana Paula Rezende, filha de Iris Rezende, recusou na terça-feira (29) o convite do MDB para ser candidata a prefeita de Goiânia, o governador Ronaldo Caiado (UB) concluiu que a situação agora exige pensar, e pensar com calma. A cautela dá a dimensão do vazio político e da falta de perspectiva do maior grupo político, que reúne o MDB, partido mais tradicional de Goiás, e o governador. É sobre essa terra devastada que o presidente da Assembleia Legislativa, Bruno Peixoto (UB), tenta semear seu desejo de ser o candidato governista. Político experiente e com a máquina da Assembleia nas mãos, que ele costuma usar, Bruno pode ser escolhido não por suas habilidades políticas e eleitorais, mas por falta de alternativa. Assim o governador vai dar tempo ao tempo. Para ajudá-lo a pensar, seu grupo encomendou pesquisas qualitativa e quantitativa para tirar a temperatura da opinião pública. O deputado Bruno Peixoto acalenta o desejo de ser candidato a prefeito desde, pelo menos, a eleição de 2016. Na época, Iris Rezende tinha recusado mais um chamado do MDB para disputar a prefeitura e Bruno então se apresentou no front. Seu projeto não foi bem recebido por Iris nem por Daniel Vilela, que estava assumindo a direção partidária. A questão nem chegou a ser enfrentada internamente, porque a negativa de Iris fazia parte de sua encenação política e logo ele voltou ao páreo. O deputado guardou seu projeto, tocou sua carreira e focou em ser presidente da Assembleia Legislativa. Com apoio de Caiado, elegeu-se e reelegeu-se em 2023, com distância de apenas três meses: a primeira eleição foi em 2 de fevereiro (para o biênio 2023/2024) e a segunda, realizada antecipadamente, ocorreu em 16 de maio (para o período 2025/2026). Bruno foi eleito por unanimidade, com votos de petistas e de bolsonaristas. Esse seu ativo político, agradar políticos de todos os matizes, agora cobra um preço.A resistência a seu projeto eleitoral começa no Palácio das Esmeraldas. Oficialmente, interlocutores alegam que o governador não abre mão de ter Bruno no comando da Assembleia. De fato ele é uma mão na roda para governo porque, como gosta de repetir, colocou o Legislativo de “mãos dadas” com o Executivo. Mas é mais do que isso. Há uma certa desconfiança no estilo de Bruno. O deputado tem um discurso verborrágico, próprio de políticos de antigas gerações, que foram, aliás, caricaturados pelo escritor Dias Gomes em seu Odorico Paraguassu, o prefeito da fictícia Sucupira para quem “os finalmentes justificam os não obstantes”. Em bom português, os meios são justificáveis para alcançar os objetivos políticos. Vale lembrar que para se eleger e se reeleger presidente da Assembleia, o deputado aumentou de 58 para 95 o número de funcionários que os deputados podem contratar, ampliou as diretorias de 15 para 23, passou de 16 secretarias para 29, criou três secretarias adjuntas e novos cargos na mesa diretora. As medidas garantiram a simpatia e os votos unânimes dos colegas e são o principal chamariz para os apoios que ele vem recebendo na Assembleia e na Câmara de Goiânia, useira e vezeira da máquina pública municipal. A dúvida é se esse ativo que atrai políticos pode ser igualmente valioso com os goianienses que vão às urnas. O eleitorado de Goiânia já derrotou políticos com perfis semelhantes, caso do delegado Waldir Soares, na eleição de 2016, e em eleições mais remotas, caso de Sandes Júnior, derrotado três vezes. O perfil de Goiânia e seu eleitorado, contudo, tem mudado, com a expansão política dos evangélicos e com a migração populacional. A pesquisa qualitativa poderá dar as respostas a essas questões. Enquanto isso sobra espaço para outras forças se organizarem. A falta de alternativa governista animou os petistas, que acreditam ser possível consolidar a terceira candidatura da deputada federal Adriana Accorsi. A ultradireita deve lançar a candidatura do deputado Gustavo Gayer (PL). A indefinição segue com o senador Vanderlan Cardoso (PSD), que adoraria ser novamente candidato. Por tudo isso, não é exagero dizer que a eleição de 2024 em Goiânia será uma viagem ao desconhecido.